Carta de Porto Alegre oficializa a Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento ao HIV/AIDS

Movimento social reforça enfrentamento ao HIV/AIDS e destaca inclusão dos determinantes sociais em iniciativa gaúcha
A construção da Carta de Porto Alegre oficializa a Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento ao HIV/AIDS, iniciativa da Sociedade Gaúcha de Infectologia com apoio da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), e representa uma importante conquista do movimento social e das organizações da sociedade civil que atuam há décadas na defesa da saúde pública, dos direitos humanos e das pessoas vivendo com HIV/AIDS no Rio Grande do Sul. A articulação contou com forte atuação do Fórum de ONG/AIDS do Rio Grande do Sul e do GAPA/RS. O lançamento ocorreu na manhã do sábado, 23/5, durante o 7º InfectoTchê, o maior congresso de infectologia do sul do Brasil, e teve a participação do ativista Carlos Duarte, conselheiro estadual e nacional de saúde, e da presidente do Gapa/RS, Carla Almeida.
Após intensa mobilização e diálogo em espaços institucionais e de construção coletiva, foi garantida a inclusão dos determinantes sociais da saúde no documento, reconhecendo que o enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS vai além das ações biomédicas e exige políticas públicas intersetoriais, combate às desigualdades sociais, ampliação do acesso à informação de qualidade e fortalecimento contínuo das estratégias de prevenção.
Além disso, a articulação conquistou a inclusão do GAPA/RS e do Fórum de ONG/AIDS do RS na Carta de Porto Alegre, reafirmando o protagonismo histórico das organizações da sociedade civil na luta contra o HIV/AIDS no Estado e na promoção de políticas de saúde pública baseadas em direitos.
Durante a manifestação pública, Carlos Duarte destacou que o movimento social gaúcho atua há mais de 15 anos denunciando os altos índices de HIV/AIDS no Rio Grande do Sul, especialmente em Porto Alegre e na Região Metropolitana, e defendendo estratégias mais efetivas de prevenção, cuidado e enfrentamento da epidemia. Segundo ele, pesquisas e ações desenvolvidas ao longo dos anos já apontavam para a necessidade de reconhecer os impactos sociais da epidemia, sobretudo sobre populações periféricas, negras e em situação de vulnerabilidade social, que enfrentam maior risco de infecção e barreiras de acesso aos serviços de saúde.
A Carta de Porto Alegre reforça a necessidade de união entre sociedade civil, gestores públicos e diferentes setores para ampliar ações de prevenção combinada, informação, testagem e tratamento do HIV, além de combater o preconceito, a discriminação e o estigma relacionados ao HIV/AIDS. O documento também reafirma o compromisso coletivo de avançar rumo à eliminação da AIDS como problema de saúde pública, com base em direitos humanos, equidade e justiça social.
