Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Política Brasielira de Aids

05/08/2017

Anaids chama movimentos de luta contra a aids para mobilização nacional

04/08/2017 - 16h

A Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids) publicou nessa quinta-feira (3) uma carta convidando movimentos e sociedade civil para o Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Política Brasileira de Aids. A mobilização acontece no próximo dia 9 (quarta-feira), na semana em que a morte de Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997) completa 20 anos. Betinho foi um dos maiores combatentes na luta contra a aids e fundador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).

Segundo Vando Oliveira, da Secretaria Política da Anaids, cada Estado vai se organizar de acordo com a sua necessidade: "A pauta principal é que os movimentos se reúnam com as secretárias e serviços de saúde para saber como estão as políticas de aids, principalmente a situação dos exames de carga viral e falta dos antirretrovirais."

Movimentos do Ceará, Pernambuco, Maranhão e São Paulo já confirmaram atividades para a semana da mobilização. "Além de manifestações de rua, estão previstas ações nas redes sociais e atividades nas sedes das ONGs", diz o documento.

Em São Paulo, o ato será realizado no dia 10 (quinta-feira), às 18h, em frente à sede da prefeitura. Do dia 10 ao dia 12, as delegações de ONG/aids dos Estados da região sudeste estarão reunidas no Encontro Regional Sudeste de ONG/Aids (ERONG).

No Ceará, o Fórum de ONGs Aids do Estado fará uma manifestação em frente ao Hospital São José, no dia 8 (terça-feira) às 9h.

Leia abaixo a carta na integra:

Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Política Brasileira de Aids

Contra o desmonte do SUS; em favor da saúde pública com qualidade

Na semana em que são lembrados os 20 anos da morte de Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997), ativistas de todo o Brasil estarão nas ruas denunciando o descaso com que gestores dos três níveis (União, Estados e Municípios) têm tratado a epidemia de aids. A criação de uma falsa ideia de controle levou a um recrudescimento no número de mortes por aids no Brasil, hoje são duas a cada hora. Além de manifestações de rua, estão previstas ações nas redes sociais e atividades nas sedes das ONGs.

Assistimos ao crescimento da aids, principalmente entre jovens e nas populações vulneráveis, com o aumento de mortes e de casos, na contramão dos dados globais. Reconhecemos as conquistas obtidas nas últimas três décadas, fruto da mobilização social e da pressão política, mas não podemos fugir à atual realidade, em que estas mesmas conquistas estão, a cada dia, ameaçadas em função do retrocesso e da falta de comprometimento que se abate sobre as políticas de saúde em geral e do enfrentamento à epidemia de aids em específico.

As organizações comunitárias que trabalham com o tema sentem de perto esta realidade, recebendo cotidianamente em suas sedes pessoas que escapam muito dos perfis mostrados nas reportagens. São jovens, negros, pobres, muitos com coinfecções e outras doenças oportunistas e que aguardam nas filas dos serviços públicos pela oportunidade de tratamento, às vezes sem recursos mínimos para se deslocar até a unidade de saúde. Soma-se a isto a falta de financiamento de todas estas ações e a ameaça de final da destinação específica para aids, jogando os recursos num caixa único, sem definição de prioridades e ao gosto do gestor.

Em todo o Brasil a população vivendo com HIV passou de 700 mil para 830 mil entre 2010 e 2015, com 15 mil mortes de aids por ano, quase duas mortes por hora. Por outro lado, os recentes episódios em todo o país de falta dos medicamentos antirretrovirais, cujo acesso universal é garantido por lei e sinônimo dos bons resultados alcançados pela resposta à aids no Brasil, exigem uma reação da sociedade.

Preocupados com este quadro, ativistas ligados às ONG e a redes de pessoas vivendo com HIV/aids se mobilizam em todos os estados dia 09 de agosto para chamar a atenção da sociedade brasileira para o problema. É preciso combater o preconceito e a aidsfobia que ganham cada vez mais vulto no Brasil. Caso contrário, teremos um quadro extremamente negativo da atual realidade de quem vive com HIV e aids em nosso país.

O momento é de luta e mobilização e não de ufanismos. Não vivemos em nenhum "País das Maravilhas". Há muito o Brasil não se configura como exemplo de combate à epidemia e muito ainda precisa ser feito para garantir um mínimo de qualidade de vida e de respeito à legislação que assegura o acesso à saúde como "um direito de todos e um dever do Estado".

Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Política Brasileira de Aids

Articulação Nacional de Aids - Anaids

Texto elaborado a partir do Manifesto preparado pelo Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo (Foaesp) e Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+)

SECRETARIA DA ANAIDS

Disponível em <  http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/26655#.WYbocCWIAw8.whatsapp  >